(***)
O primeiro
chegou como quem sabe o que quer. Até demais, alguns diriam. Tinha casa, bom
emprego, carinho de sobra, vontade de vê-la sorrir. Cortejava-a com presentes,
caros ou baratos, sempre com cartões a declarar as boas intenções. E boas
intenções, de fato, nada dessas do qual o inferno está cheio. Sussurrava-lhe
garantias ao pé do ouvido, a certeza dum amor tranquilo, bem visto por todos.
Era um sonho. Se ela ousasse pedir o mundo, ele iria atrás, sem pestanejar. A
boa vontade e a falta de capacidade de negar o que quer que fosse à moça,
assustou-a. Fugiu antes que, a ele, precisasse dizer não.