terça-feira, 18 de agosto de 2026

A teia das possibilidades é feita de emaranhados que me puxam de volta sempre que eu acredito estar solta. É o fantasma terrivelmente parecido na fila do mercado. A sombra na parada do ônibus que reflete as curvas do cabelo igual o teu. A insistência em vigilância que eu sei que não significa nada e, mesmo assim, me arrasta pra perguntas que não serão respondidas. Pensamentos intrusivos que me rodeiam às 17h37, a caminho de um café.


Se você tivesse insistido. Se você tivesse sido claro. Se aquilo que eu dizia fosse o suficiente pra te fazer acreditar que eu ficaria. Se você tivesse me visto. Se eu não tivesse ido embora. Se você me visse. Me quisesse. Se eu não fosse uma terapeuta gratuita a quem você chorava as mazelas. Se eu estivesse bem. Se eu não tivesse me sentido pequena naquele dia em que você encontrou ela e eu fui esquecida. Se você estivesse bem. Se eu fosse mais madura. Se você me enxergasse como possibilidade e não como fuga. Se houvesse resposta e não apenas suspensão e silêncio.

Não que signifique algo agora.

Você é outro, imagino. Eu não poderia ser mais diferente e tão a mesma pessoa, ainda. Rumino aquilo que não foi porque a minha mente pede por uma lógica e esclarecimentos que, nem sempre, respeitam razão ou emoção. Meu pensamento vai para lugares em que o ego ainda não experimentou a morte, como se tentasse justificar tudo isso (que nada é) com aquilo que tem em mãos. E sempre foi pouco e continuará sendo, porque não há ponto que dê final. Apenas interrogações.

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