sábado, 13 de abril de 2013

A falta que nos move

Ouça: Watch How You Go - Keane 

*Esse texto é uma versão alternativa de "Fugitivo", publicado por Eduardo Giovanni, no blog Contos avulsos. Para ler a versão original, clique aqui.
*"A falta que nos move" é título de um filme brasileiro. Para mais informações, clique aqui. 



Acordei. Cinco e cinquenta três da manhã, sexta feira de um mês qualquer, uma capital inconstante e teus abraços ao redor da minha cintura. Nem sabes, mas fiquei ali, por uns bons minutos lhe encarando, vendo o cenho que franzia conforme os sonhos mudavam. Queria ficar até que seu sono se esgotasse, só pra perguntar o que é que te incomodava tanto enquanto dormias. Ao invés disso, desvencilhei-me dos teus braços e segui em direção ao banheiro.
            Sem que me desse conta, tu me encaravas com olhos nublados, perdidos. De modo que, quando, sem nada dizer, me tomaste com um abraço, logo achei estranho. Pousaste a cabeça em meu ombro e permanecera ali, por algum tempo. Quis lhe perguntar o que havia acontecido, talvez fosse só um sonho ruim. Você sabe, eu estava ali.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Quanto? Conta.

Ouça: João Gilberto - Insensatez


 Rio enquanto tu cantas meu nome em algum bar da cidade. Tanto tempo, tanto intento, chora teu peito. Meu encanto, tua necessidade. Tolos, dançam os amantes à tua frente. O rapaz, atento, toma pela cintura a amada. Sei muito bem, meu bem, que sentes minha falta.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Pierrot/Arlequim

Ouça: Sweet Nothing (Cover) - Leo Stannard

"Quando você ler essas palavras, já estarei longe. Provavelmente, na metade dos inúmeros quilômetros que nos separam. Não, não tenta me ligar agora. Apenas leia minhas minhas palavras mal distribuídas e vê se entende. Tenta. 


Pensei em escrever algo grandioso, que mudasse teu mundo e me fizesse sentir meio boba. Amasso o papel e jogo-o à pilha dos fracassos. Acontece que eu fui embora. Outra vez. Sem olhar para trás, de mãos vazias e mais leve que esse vento que acaricia a tua pele nos fins de tarde. Está me ouvindo? Eu parti e, dessa vez, eu jurei não voltar. Sei que já lhe disse isso dezenas de vezes e sempre acabo retornando. Não dessa vez.

sábado, 12 de janeiro de 2013

(In)Transitivo

Ouça: Apartment - Young the Giant


Domingo, quase cinco da tarde. Teu apartamento, o colchão na sala, algum filme na televisão e o barulho de chuva que você adora ouvir. As paredes que já se tornaram familiares demais começam a incomodar, mas teu interesse em algum enredo fantástico, misturado a resquícios de sono, impede que você veja meu desconforto. Não, não estou reclamando, sabe. Eu adoro a tua cama eternamente bagunçada, fazer das tuas camisas o meu pijama e saber que tem um pedaço meu em cada canto desse lugar. Encaro o teto branco e você abandona teu travesseiro só para repousar a cabeça em meu peito. Me pergunta, baixinho, o motivo de estar tão calada e faz piada com o fato d'eu não estar divagando sobre as qualidades físicas de um ator qualquer. Respondo que não passa de sono e uma pressão baixa, ocasionada pelo calor infernal, apesar da chuva, da cidade localizada no norte do estado. Você, preocupado, se dispõe a preparar algo para comermos, mas dispenso a sua gentileza e tomo o controle da cozinha, enquanto tu acabas comprando, sem saber, minha farsa travestida de xícaras de chá, café e biscoitos.