domingo, 29 de novembro de 2020

Lembrete de 10/05/2015

Que lembres sempre que a memória não dá sossego.

Do que ficou por ser (e outras indefinições)

Not - Big Thief


Não foram pelas tuas palavras, visíveis no papel e me endereçadas em fevereiro. Nem pelas tímidas investidas e encontros esparsos. Nem sequer pela noite na Paula Gomes que enterrou nossas expectativas. Não foram pelas narrativas criadas e das redes que passamos anos trocando, sem mencionar destinatários que, tão claramente, recebiam e desvendavam mensagens, metáforas e o simbolismos, mas nunca verbalizado em alto e bom som. Não era por você.

Talvez fosse por mim. Pelo medo, pela falta de clareza - de palavras, ideias, desejos -, os pesos de indecisão. A solidão pesa, sufoca e, ironicamente, ensina. A clausura e o isolamento amadurecem. Essas coisas tornam claro o que é necessário: dizer. Vá, fique, retorne, transforme. Era por mim. E por tudo que eu não consegui dizer antes do fim. Também foi pela vez em que me percebi do lado de fora, afastada. Pela ausência da resposta que não dei.

sábado, 9 de setembro de 2017

Fade out

Ouça: Ana Muller - Aviso

"Ask him why he can't commit
Ask him. 
Ask him how he can say he loves you but not check on you everyday.
Why he can call you in the middle of the night but not first thing in the morning.
Why he can't say your name without splintering his tongue.
(...)
Tell him you don't trust him.
Tell him that he makes you crazy,
that his half ass'd attemps at security drive you mad.
Tell him.
Ask him why he can't stay.

Why he's commited to leaving but not commited to you."
Key Ballah



Nosso roteiro não possuía linearidade. Era composto de recortes: a lembrança das madrugadas, luzes coloridas, dedos entrelaçados, conversas no meio fio, o cumprimento com hálito de alcool um dia depois dos meus vinte-e-um. Pra te ver, vestia todas as minhas dúvidas enquanto você escolhia uma armadura dentre todos os figurinos que poderiam te cair tão bem. 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Descontinuado


“quem foi que te convenceu. de que você ganhou um coração e uma cabeça que não pertencem a você. que suas ações não definem o que vai acontecer com você. quero gritar e berrar que somos nós seu idiota. somos as únicas pessoas que podem nos unir novamente. mas em vez disso eu sento quieta. sorrindo de leve pensando entre lábios trêmulos. é ou não é uma coisa trágica. quando você vê tudo tão claro e a outra pessoa não vê nada.” (Rupi Kaur)


Se não fossem as desculpas infinitas pela força das personalidades seria a incapacidade de comunicação. Ou a dificuldade de tomar decisões e verbalizar vontades. Desculpas. Traços imperfeitos justificariam as ausências, a distância, as inseguranças e, principalmente, o fato de não compartilharem o presente, quanto mais um futuro distante e míope que acreditavam ser impossível projetar.